Meu Caminho – dia 22

Antes de falar sobre a subida do Cebreiro, gostaria de abordar um assunto no mínimo curioso.

Vamos lá.

O Javi é um cara legal. Tem 37 anos, já morou em alguns países, inclusive no Brasil, mas acho que neste momento está meio perdido na vida.

Ele se envolveu com uma garota durante o Caminho, antes de me conhecer. Parece que de alguma forma os 2 se desentenderam e quando eu o conheci estava aquele clima.

O duro é que as pessoas querem ficar nos mesmos lugares normalmente, então os encontros são inevitáveis.

Acontece que isso o afetou demais. Então, para mim, que gosta de caminhar em silêncio e falar o mínimo necessário, é difícil caminhar com um cara que se lamenta o dia todo.

Além disso, ao longo dos dias, fui percebendo que o Javi é uma metralhadora louca. Ou seja, atira para todos os lados.

Isso me incomoda, porque gera ainda mais conteúdo para o monólogo dele comigo e o pior, ele não se dá conta que as pessoas não estão na vibe dele de encontrar alguém, as pessoas querem simplesmente fazer aquilo que elas tem vontade de fazer.

No dia anterior, comentei com o Javi que a Nerea (caminhou comigo se SJPP quase até Burgos) se juntaria a nós.

O bicho espanou. Falou que não ficaria em Villafranca e que seguiria adiante. E foi. Ele me mandou mais tarde uma mensagem dizendo que seguiu mais 9km

Bem, voltando ao Cebreiro.

Eu quis ficar em Villafranca e fazer uma etapa mais longa porque entendi que seria bom subir a montanha bem aquecido.

Muita gente seguiu mais 5 ou 9km para uma etapa mais curta.

Acordei normalmente, me preparei e coloquei meu passo. Eu realmente caminhei bem. Tirei fotos, aproveitei o lugar.

Quando chegou a parte da subida. Eu botei mais ritmo no meu passo e subi. Parei em La Faba para um suco e subi de novo no ritmo.

O resultado foi que cheguei ao Albergue primeiro, passei muita gente na montanha. Eu estava contando as pessoas que passei, mas parei na trigésima.

De certa forma, é óbvio que me deixa feliz. Afinal, minha estratégia de estar bem aquecido deu certo. Eu passei muita gente que estava tirando o casaco e a jaqueta na montanha porque apesar de estar fresco, todo mundo estava suado.

Este foi um aprendizado que tive o ano passado no Caminho da Fê. Se tem montanha, vai suar. E é melhor subir sem parar por causa do ritmo do que ficar parando e desaquecendo.

Fico mais feliz pela minha experiência ter válido a pena do que chegar primeiro no final das contas. Chegar primeiro e estar lá sozinho, nem sempre é bom. Rs

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