Meu Caminho – dia 20

A Cruz de Ferro.

Eram 4:00am e eu simplesmente despertei. Tentei dormir mais alguns minutos e não consegui. Mesmo não criando expectativas em minha cabeça, estava ansioso por este dia.

O quarto do pequeno albergue estava quente, mas quando saí dele para começar a me arrumar, ir ao banheiro e etc, bateu aquele ventinho frio.

Logo pensei que o céu poderia estar encoberto. Ou uma neblina densa poderia estar sobre a montanha, mas felizmente não havia nada disso. O céu estava completamente limpo, as estrelas brilhavam como fortes pontos luminosos e por causa do frio, sabia que as cores da manhã seriam espetaculares.

Me arrumei e fiquei esperando a Conchi, a senhorinha hospitaleira do Albergue acordar e preparar o café da manhã. Ela não deixava ninguém sair antes das 6:00h porque dizia que não haveria espetáculo se saíssemos antes. Dizia : Você já foi em algum show do seu artista favorito mais cedo e por acaso ele subiu no palco só por causa disso?

Ela repetia isso pars todos.

Tomei meu café, comi meus pais e belisquei um pedaço de bolo. Botei minha mochila nas costas e me despedi da Conchi. Ela me disse : “- Deposite a sua pedra e não leve nada de lá.”

Caminhei devagar. Estava bem frio, o corpo demora mais para funcionar. A subida não era dura. Era ansiosa. Depois de 20 minutos caminhando, fiz uma curva e naquela penumbra vi o monte. No meio dela, a Cruz de Ferro.

E chorei.

Naqueles poucos metros desabei. Chegando perto, deixei minha mochila no chão, peguei a minha pedra do bolso e subi para perto da Cruz. Eu estava lá. Sozinho. Por uns 5 ou 6 minutos, naquele escuro, era somente eu e a Cruz. Fiz a minha conversa.

O Javi chegou e desci para pensar na foto.

Gostaria de registrar perfeitamente este momento. Então, as 6:48h começou a amanhecer. Circulei a Cruz e encontrei o ponto certo. Pedi ao Javi que registrasse daquele jeito e daquela posição. Sem inventar. Rs.

E ele o fez. Registrou quando eu encostei na Cruz e um pouco depois quando me ajoelhei para deixar a minha pedra.

Foi foda.

Nem havia percebido que já tinham outras pessoas por lá. Desci emocionado. Muito emocionado. Coloquei minha mochila nas costas, senti o salgado da minha lágrima na boca e simplesmente caminhei e segui frente.

Admito que demorei a voltar ao normal. Fiquei por uns momentos bem emotivo. Pensando em tantas coisas, em tanta gente, em tantos momentos. Levou um tem para para retomar o prumo.

Quanto a caminhada, diziam que chegar a Ponferrada seria duro porque a descida é assim ou assado. Vou falar a verdade. Simplesmente desci. Ao final tive um pouquinho de dor no joelho, mas pra quem caminhou o Caminho da Fé, descer da Cruz de Ferro é mole.

Ponferrada é muito simpática. Tem o Castelo templário e é bem turística. Tem também o Albergue Municipal mais descolado do caminho. Diria que se todos os albergues Municipais fossem como esse, a galera teria mil vezes mais interação.

Foi um dia mega foda. Sério.

Só de lembrar, me deixa arrepiado. Foda!

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